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Urânio contamina água em povoado rural de Caetité
A Tarde - Salvador - 16/10/2008
No Núcleo Escolar Bento Oliveira Ledo, que atende a 95 crianças, na Vila de Juazeiro, na zona rural de Caetité, a 757 km de Salvador, a professora teme pela saúde dos alunos. “Nas conversas que temos com os pais, eles se queixam de que seus filhos estão com verme, indispostos e sem apetite. Com certeza, a água que não é tratada tem a ver com isso, mas, se por trás desses sintomas, existem outros bem piores?”, indaga a educadora.
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Água do chafariz que abastece Vila de Juazeiro
A Água consumida na escola é tirada de um dos poços de onde foram coletadas amostras que, quando analisadas em laboratório, nelas constatou-se a contaminação por urânio. A professora reclama da falta de informações e providências desde que a ONG Greenpeace tomou levou amostras da água para análise fora do País. A Vila de Juazeiro fica a 8 km da mina de urânio explorada pelas Indústrias Nucleares Brasileiras (INB).
O exame foi feito no laboratório da Universidade de Exeter, na Inglaterra, a pedido do Greenpeace, e indicou índices de radioatividade sete vezes acima do parâmetro estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e duas vezes acima do que estabelece o Conselho nacional do Meio Ambiente (Conama). A ONG, que articula um movimento mundial contra a energia nuclear, deflagrou, nesta quinta-feira, 16, uma ação em nível nacional de alerta para os riscos da exploração de urânio e de irregularidades na operação da INB.
Em um relatório divulgado nesta quinta, o Greenpeace mostra que a indústria ficou até o mês de agosto sem cumprir as condicionantes da licença de operação, que previa estudos epidemiológicos sobre a saúde da população da área de influência da mina e sobre o impacto da atividade no sistema hidrogeológico da região. As amostras foram coletadas em abril deste ano, em vários pontos situados na área de influência da mina (raio de 20 km), onde vivem cerca de três mil pessoas.
Do total de 20, duas amostras apresentaram resultados mais graves para a presença de urânio. Segundo a coordenadora do estudo. Rebeca Lerer, foi a primeira vez que foi feita análise independente da água da região. “Antes, só a empresa fazia, mas, mesmo assim, não divulga os resultados”, afirmou. De acordo com ela, a escolha de um laboratório no exterior se deu “porque os laboratórios do País não têm total independência”.
INB – O diretor de recursos naturais da INB, Otto Bittencourt Netto, classificou de injusta a posição do Greenpeace. “Nós só estamos operando porque temos todas as licenças, tanto do Ibama, quanto da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEM)”. A notícia da contaminação por urânio em amostras analisadas pela ONG causou surpresa. “Não temos responsabilidade nisso, mas vamos lá para fazer novas análises e, se for confirmado, vamos ajudar a população”, disse. Ele falou que a medida a ser tomada em caso positivo seria o fechamento dos poços e a perfuração de novos em locais onde não haja presença de urânio.
Otto destacou que a região tem urânio há milênios e que pode acontecer de um poço ter sido aberto em local de ocorrência do minério radioativo. Sobre os estudos da relação do urânio com a incidência de câncer na região, ele afirmou que já começaram. O diretor justificou a demora pela dificuldade de entrar em acordo com os diversos órgãos públicos que atuariam em conjunto. “Decidimos partir para uma licitação e foi selecionada a Fundação Oswaldo Cruz, que começou o trabalho em fevereiro”, afirmou.
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