O carregamento de urânio segue para o Canadá, onde será enriquecido
 

 

Urânio finalmente deixa o porto e vai para o Canadá

Abmael Silva Ag/A Tarde   19/05/2008

O carregamento de urânio segue para o Canadá, onde será enriquecido

Danile Rebouças, do A Tarde*

Durou cerca de duas horas a operação portuária, realizada neste domingo, 18, para embarque de 175 toneladas de urânio na Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba). Por volta das 19h40, 12 carretas com contêineres carregados com o material bruto do urânio chegaram ao porto para medição da radiotividade. Em seguida, com a atracação do navio Kent Trader, o material foi autorizado para embarque, que aconteceu de forma rápida e tranqüila, durante 40 minutos.

Desde a última quarta-feira, a carga, vinda da cidade de Caetité (sudoeste do Estado da Bahia), estava no pátio da empresa operadora Intermarítima pronta para o embarque. O atraso ocorreu porque outro navio (Frota Santos,) que atracou antes do Kent Trader, teve problemas em um dos guindastes de bordo. Seria necessário que o Frota Santos desocupasse o berço de atracagem para que o carregamento do urânio  pudesse ser realizado.

Sem risco - Os técnicos do sistema portuário da Codeba e de segurança do trabalho Amarílio Santos e Abnael Meneses garantiram que a operação realizada ontem para embarque do urânio não oferece nenhum tipo de risco e ocorreu dentro das normas de segurança. “O produto é in natura, não modificado, o mesmo que é retirado na mina. Se apresentasse perigo, nem sairia de Caetité”, afirmou Abnael.

O perigo, segundo Amarílio, estaria se houvesse algum tipo de extravio de carga por pessoas mal intencionadas. “Nesse caso, ele poderia ser enriquecido e usado com outros fins, com maldade”, ressalta. Por isso, o transporte de cargas radioativas é fiscalizado e acompanhado pela Polícia Federal nas rodovias e, no porto, pela segurança portuária.

O coordenador-geral de operação da empresa responsável pelo carregamento – Indústrias Nucleares do Brasil (INB) – Robson Nunes, informou que, antes do transporte, todos os contêineres passam por uma fiscalização. “Eles já saem da usina com toda a documentação que deve entregar no destino final preenchida. Antes do embarque marítimo, a medição é feita só para verificar a integridade da carga”.

Robson ressalta ainda que o transporte deve seguir normas internacionais, que se tornaram mais rigorosas após os atentados de 11 de setembro. O carregamento de urânio segue para o Canadá, onde será enriquecido. Depois, retorna ao Brasil para a geração de energia nas usinas de Angra I e II (localizadas no Rio de Janeiro).

*Colaborou Adilson Fonsêca


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