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Falta de substância suspende medicina nuclear até janeiro
Gazeta de Limeira
Data: 11/12/2007
A falta de um material radioativo importado, usado em exames chamados de cintilografias e que detectam tumores, além do fluxo sangüíneo nas artérias coronárias, levou a suspensão de inúmeros exames já agendados. A previsão é que a crise permaneça até janeiro.
A informação é da secretária da Saúde, Elza Tank, e do coordenador da Unidade de Avaliação e Controle (UAC) de Limeira, Gerson Hansen. O fornecimento do material foi suspenso para todo o Brasil e Limeira já foi afetada, inclusive todo o estoque do único local que faz os exames com a substância na cidade. “Queremos deixar claro que não é um problema do município. O governo federal compra o produto de uma empresa do Canadá, que através de um reator atômico, o transforma em uma substância que se chama tecnécio. Por se tratar de substância radioativa é rigorosamente controlada pelo Ministério da Saúde”.
O material radioativo, chamado tecnécio-99m, é fabricado pela MDS Nordion, a maior produtora mundial. Semanalmente, a matéria-prima chega à Companhia Nacional de Energia Nuclear (Cnen), que fraciona o material e o encaminha aos 400 serviços de medicina nuclear no País. O grande problema é que o reator atômico foi colocado em manutenção nesta semana pela empresa. “Não se sabe exatamente o motivo, mas não se pára a produção de um material tão importante por qualquer coisa”.
Em Limeira, segundo Hansen, o único local que realiza esses exames é o Centrocor. Contudo, não há mais possibilidade da realização dos diagnósticos até que o fornecimento seja normalizado. O problema está levando hospitais brasileiros a cancelar milhares de exames. A Gazeta tentou contato com o laboratório da cidade, mas até o fechamento desta edição não houve retorno.
PREJUDICADOS
A cintilografia faz diagnósticos de câncer, doenças cardíacas, renais, hepáticas, entre outros. Essa técnica de exame permite visualização de um órgão ou tecidos internos. Eles ficam “marcados” graças ao material radioativo. É usado, por exemplo, no diagnóstico de tumores e para estudar o fluxo sangüíneo nas artérias coronárias. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), já foram cancelados cerca de 40 exames na cidade. “Sabemos que ainda existem os pacientes dos convênios e particulares, mas não temos o controle”.
O coordenador da UAC, departamento que libera os exames e procedimentos na Secretaria da Saúde, tomou conhecimento da situação ainda na semana passada. Mas, apenas ontem teve a confirmação do problema.
GRAVIDADE
O presidente da Sociedade Brasileira de Biologia e Medicina Nuclear (SBBMN), José Soares Júnior, se manifestou sobre o assunto. Para ele, essa situação, sem precedentes na história da medicina nuclear, poderá ter conseqüências catastróficas, sobretudo porque impede a realização da maioria dos exames cintilográficos, o que deixa os pacientes sem qualquer possibilidade de assistência. Na área de oncologia, a situação é ainda mais crítica. “O exame é fundamental no estadiamento - acompanhamento do tamanho e da expansão para outras áreas - do tumor. Quando não tem metodologia adequada para fazer o estadiamento, o tratamento também não será adequado.”
A cintilografia é diferente de outros métodos de imagem, como a radiografia simples ou o ultra-som, porque avalia o funcionamento dos órgãos e não apenas sua morfologia.
Como os órgãos e células do organismo podem concentrar e metabolizar material radioativo, com o exame, é possível “enxergar” como eles trabalham. A secretária da Saúde de Limeira, Elza Tank, disse ainda à reportagem que fará o que puder para ajudar os pacientes limeirenses, mas que não se trata de um problema local, por isso, se vê limitada. (RR)
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