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País vai triplicar a produção de urânio
Gazeta mercantil
São Paulo, 5 de Outubro de 2007 - Mina de Santa Quitéria, no Ceará, permitirá que o volume chegue a 1,2 mil toneladas/aIntegra do texto
São Paulo, 5 de Outubro de 2007 - Mina de Santa Quitéria, no Ceará, permitirá que o volume chegue a 1,2 mil toneladas/ano. Nem mesmo a paralisação da mina de Caetité (BA), durante cerca de um mês, para renovação da licença operacional comprometeu a produção brasileira de urânio de janeiro a setembro deste ano. A mina, que tem capacidade para produzir cerca de 400 toneladas/ano, bateu o recorde atingindo 380 toneladas, ou seja, 20 a mais do que as 360 projetadas para aquele período de nove meses. A carga do mineral, já transformada em "yellow cake", segue na próxima semana para o Canadá, onde será transformada em gás e em seguida vai para a Holanda, onde passará pelo processo de enriquecimento.
Todo este processo poderá em breve ser desenvolvido na Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Resende (RJ). "A usina de enriquecimento de urânio da INB está em fase de teste. A previsão é que em 2010 ela enriqueça cerca de 60% das necessidades de Angra 1 e 2", informou a este jornal Luiz Felipe da Silva, diretor de minerais da INB, que prevê ainda o aumento de produção a partir de 2008. "Para atender à expansão do setor nuclear, anunciada pelo governo federal, a INB terá que aumentar a sua produção, o que está sendo feito em Caetité", explica o executivo. Para melhorar o processo de exploração na mina, o governo federal liberou R$ 30 milhões, numa primeira etapa, recursos que vinham sendo reivindicados desde o ano passado.
A entrada em operação da mina de Santa Quitéria, no Ceará, o que deve acontecer até 2009, fará com que a produção brasileira de urânio chegue a 1,2 mil toneladas, quantidade suficiente para atender a demanda das usinas nucleares, Angra 1 e 2, e 3, esta última com construção já foi aprovada pelo governo federal.
O urânio de Santa Quitéria está associado ao fosfato, utilizado em fertilizantes. Nessa jazida, pode-se aproveitar também cerca de 300 milhões de metros cúbicos de mármore, totalmente isento de urânio. Silva lembra que o urânio na forma em que se encontra na natureza é fracamente radioativo.
Por conta das discussões sobre a matriz energética brasileira, e com a possibilidade do País contar num futuro próximo com mais oito centrais nucleares, as pesquisas sobre as reservas brasileiras dão conta de que elas podem chegar a 309 mil toneladas, com apenas 25% do território prospectado. Com essa produção, o Brasil terá condições de entrar no mercado de exportação de urânio, uma possibilidade que terá ser submetida a esfera do Ministério de Ciências e Tecnologia e também ao Congresso Nacional, disse Luiz Felipe Silva.
A INB tem um acordo com a Coréia do Sul em conjunto com a Westinghouse e a coreana KNFC para o desenvolvimento do combustível avançado para os reatores de Angra 1, Kori 2 (Coréia) e Krisco (na Eslovênia). "A INB e a KNFC têm perfis semelhantes - são empresas estatais do ciclo do combustível nuclear - com interesses convergentes e complementares. É uma cooperação tecnológica, com troca de informações em reuniões anuais de grupos técnicos que se realizam alternadamente no Brasil e naquele país", completa o diretor da INB.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 2)(Ivonéte Dainese)
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