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Nucleares vão vender energia no mercado
Folha de São Paulo - 07/07/2007
Para as novas unidades, valerá a regra dos leilões
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIOAs quatro usinas nucleares que devem ser construídas até 2030 no país venderão sua energia diretamente às distribuidoras nos futuros leilões, competindo com as outras fontes (hidrelétrica e termelétricas), segundo o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner. A nova regra não valerá para Angra 3.
Para isso, o governo vai alterar a legislação a fim de permitir que a estatal Eletronuclear, que tem o monopólio da energia nuclear, atue como uma comercializadora de energia, de acordo com o ministro.
Atualmente, a Eletronuclear vende a energia de Angra 1 e 2 à também estatal Furnas, que faz um mix de preço com a energia hidrelétrica produzida por ela e a vende em bloco.
"A venda para um único comprador trava a negociação", afirmou o assessor da presidência da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães. Segundo ele, o contrato com Furnas termina nos próximos anos.
Pelos planos do governo, serão instaladas duas centrais nucleares, com duas usinas cada uma. Uma ficará no Nordeste, a ser construída primeiro, até 2017. A outra será no Sudeste e deve estar pronta até 2030.
No caso de Angra 3, a energia será vendida por "rateio" entre as distribuidoras, respeitando o tamanho do mercado de cada companhia, que será determinado pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Prevista para 2013, Angra 3 está avaliada em R$ 7,2 bilhões.
"A Aneel vai definir o valor da tarifa, dentro do limite de custo compatível com outras fontes térmicas [gás natural e diesel]. E vai ser feito um rateio de acordo com o mercado de cada uma das distribuidoras", disse Hubner sobre a regra estabelecida para Angra 3.
Segundo Hubner, os estudos mostram que o custo da energia de Angra 3 será "competitivo" com o das outras termelétricas. É, segundo ele, a melhor opção térmica para gerar energia de modo contínuo e por longos períodos -o que o setor chama de operar na base.
Já as termelétricas a gás e a diesel, diz, são alternativas mais baratas para a gerar energia por um período curto e em momentos de grande consumo, entrando em operação em momentos de baixa dos reservatórios das hidrelétricas.
Colaborou JANAINA LAGE , da Sucursal do Rio
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